última atualização em 17 de agosto às 10h20
Manoela Penna, Assessoria CBJ, de Atenas

VÂNIA ISHII: "NÃO ESTOU TRISTE"

Judoca perde na primeira luta e, com eliminação de sua algoz,
não se classifica para a repescagem. Meta agora é o Mundial
de 2005. "Se vou até Pequim? Ainda não sei", diz ela


Os Jogos Olímpicos de Atenas duraram 44 segundos para Vânia Ishii. A meio-médio brasileira foi derrotada por ippon na primeira luta pela belga Gella Vandecaveye, dona de cinco medalhas em mundiais e duas olímpicas. Como Vandecaveye perdeu nas quartas-de-final para a eslovena Urska Zolnir, Vânia acabou sem o direito de disputar a repescagem.

"Não estou triste. Tenho consciência de que fiz tudo o que podia até aqui. Minha preparação foi correta, estava concentrada e hoje quando acordei me sentia muito bem, estava certa de que seria o meu dia", comentou Vânia que, após a luta, contou com o conforto do pai, Chiaki Ishii, e do namorado Alexandre Lee. "É duro aceitar que acabou, que não tenho nova chance, que não posso voltar a fita. Agradeço a todo mundo que acreditou em mim, só isso que posso fazer".

A serenidade de Vânia contrastava com a tristeza do técnico Floriano de Almeida. Se a atleta segurou o choro, o treinador deixou escorrerem as lágrimas.

"É uma injustiça. A Vânia está no melhor da forma física e técnica, no mesmo nível das melhores do mundo. Quando ela perdeu o bronze no Mundial em Osaka tinha certeza de que a medalha estava reservada para ela aqui em Atenas. Infelizmente não deu", lamentou o treinador.

Vânia não faz planos para o futuro. Se vai seguir no tatame até os Jogos de Pequim, em 2008, nem ela sabe.

"Vou viver dia a dia, mês a mês, ano a ano. Meu próximo objetivo é o Mundial de 2005, no Egito. Depois disso não sei. Se me sentir forte para continuar, vou continuar. Mas quatro anos é muito tempo e não sei como nem onde vou estar. Agora quero é me formar na faculdade", disse a judoca, que estuda publicidade na Mackenzie/SP e comemorará seus 32 anos no próximo dia 19 de agosto, em Atenas. "Esses Jogos valeram pela experiência. Não troco o que vivi aqui por nada, me enriqueceu muito", diz Vânia.

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