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última
atualização em 20 de agosto às 15h28
Manoela Penna, Assessoria CBJ, de Atenas
BRASIL AVALIA CAMPANHA EM ATENAS
Atletas e comissão técnica comentam as duas medalhas
de bronze conquistadas nos Jogos Olímpicos
O judô encerra
sua participação em Atenas com duas medalhas de bronze,
conquistadas pelo leve Leandro Guilheiro e pelo meio-médio Flávio
Canto. Além de igualar a vela e o atletismo como a modalidade que
mais alcançou o pódio olímpico na história
(12), o judô mantém a tradição de trazer medalhas
há seis olimpíadas consecutivas, desde Los Angeles 1984.
"O judô mundial está muito equilibrado. Tirando o Japão,
nenhum país conquistou duas medalhas de ouro, por exemplo. O pódio
foi bem distribuído. Vinte e quatro países ganharam medalha",
comenta o coordenador técnico da seleção brasileira,
Ney Wilson. "A forte equipe masculina da França, por exemplo,
com dois campeões mundiais e dois vice-campeões mundiais
em Atenas, não subiu ao pódio em nenhuma categoria. A Federação
Francesa tem E$ 20 milhões por ano e só teve uma prata no
feminino. Conquistar duas medalhas como fizemos não é fácil.
Nossa expectativa era essa mesmo, ficar com duas a quatro medalhas",
acrescenta o dirigente.
"O que vemos é uma grande internacionalização
do judô. Em Atenas, o Japão recuperou uma hegemonia que já
não era tão grande", concorda Floriano de Almeida,
técnico da seleção feminina do Brasil.
Ney Wilson ainda reunirá a comissão técnica para
discutir erros e acertos da campanha em Atenas. Mas já sabe alguns
dos passos a seguir.
"Os recursos que temos à disposição hoje apenas
pagam nossas contas, não sobra para investir. Temos a desvantagem
de ter uma moeda fraca e gastarmos sempre em euro, dólar ou ien.
O Brasil é geograficamente desfavorecido também, pois os
grandes centros do judô são na Europa e na Ásia. Com
isso, vamos dando um passo de cada vez. Queremos, sim, aumentar o intercâmbio
internacional das nossas equipes, com treinos e competições
no Brasil e no exterior, além de investir em tecnologia, com a
compra de um software de banco de dados dos principais atletas, a aquisição
de fitas e filmagem das lutas", explica Ney Wilson. "Sabemos
o que deve ser melhorado e estamos planejando este caminho. Mas tudo o
que podíamos fazer para uma boa campanha em Atenas foi feito. E
se tivesse de repetir, repetiria tudo", ressalta.
Flávio Canto e Leandro Guilheiro, os medalhistas brasileiros em
Atenas, também falaram das surpresas desta competição.
"Eu posso ser zebra para muitas pessoas, mas não para mim.
Sempre acreditei que era possível chegar ao pódio",
afirma o jovem Leandro, de 21 anos. "O fato de ser desconhecido pode
até ter me ajudado, pois quase não fui estudado pelos adversários.
Tal qual aconteceu com o Inoue, japonês campeão olímpico
e tricampeão mundial, invicto há quatro anos. O holandês
estudou tanto ele que cada passo que ele dava no tatame era marcado. Acabou
perdendo", continua ele, que fez questão de gravar as lutas
de Kosei Inoue para `aprender´, segundo ele mesmo.
"A grande zebra foi mesmo a derrota do Inoue. Na minha categoria,
havia uns 12 judocas em condição de subir ao pódio.
O único que me surpreendeu estar lá foi o ucraniano. Mas
se começarmos as Olimpíadas de novo posso perder na primeira
luta e ficar de fora ou ser campeão. Está tudo muito equilibrado",
diz Canto. "É uma competição muito difícil
e rápida. De 33 atletas, apenas quatro têm a sorte de subir
ao pódio. A vitória é uma conseqüência
de treinamento, sorte, destino. São as conseqüências
da globalização no esporte. Em 1996, em Atlanta, não
era assim. Tinha uns seis judocas favoritos em cada categoria apenas",
lembra o medalhista de bronze em Atenas.
Carlos Honorato, um dos favoritos no peso médio, sentiu na pele
o efeito do estudo a que se referiu Leandro Guilheiro.
"Não competi bem e fiz menos do que eu esperava e do que os
outros esperavam de mim. Em alguns momentos, não consegui aplicar
o que eu sabia e perdi. A Confederação Brasileira de Judô
está investindo na compra de fitas de torneios internacionais e
isso pode ajudar daqui para frente. Até 2000, não tínhamos
nada. Já estamos evoluindo. Para Pequim, vai ser melhor ainda",
acredita Honorato.
A derrota de Inoue, Honorato, e as ausências da França no
pódio não foram as únicas surpresa na Grécia.
Canadá e Grã Bretanha também não tiveram motivos
para comemorar. Cuba, uma potência no feminino, fez apenas uma final
e perdeu.
"Antigamente, os países convidavam as cubanas para treinar
na Europa e pagavam a conta. Agora isso acabou e elas devem estar sentindo
a diferença, se alimentando mal, essas coisas. Uma prata e quatro
bronzes para elas é pouco", avalia a peso-leve Danielle Zangrando.
"Cinco medalhas em sete possíveis é um ótimo
resultado, mas ficar fora da final categoria até 52kg com a Amarilis
Savon foi uma grande surpresa", concorda Floriano de Almeida. "O
próprio Brasil tinha uma equipe forte, pronta para disputar a medalha
em mais de uma categoria", diz ele.
Para o treinador do time feminino do Brasil, ainda é necessário
mais intercâmbio e mais mulheres praticando o esporte para que a
medalha seja conquistada.
"Nos treinamentos de campo da seleção no Brasil, a
mobilização das meninas é pequena", lamenta
Floriano.
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