última atualização em 21 de agosto às 16h
Manoela Penna, Assessoria CBJ, de Atenas

JUDÔ COMEMORA A TRADIÇÃO DE VOLTAR
DOS JOGOS OLÍMPICOS COM MEDALHAS

Delegação desembarca neste domingo em São Paulo
com dois bronzes, de Flávio Canto e Leandro Guilheiro

A seleção brasileira de judô, único esporte conquistar medalhas para o Brasil em Atenas até este sábado (dia 21), desembarca em São Paulo neste domingo (dia 22), às 5h30min, com dois bronzes na bagagem. É a sexta vez consecutiva que o judô retorna com medalhas. Em Atenas, Leandro Guilheiro, da categoria leve, e Flávio Canto, meio-médio, conquistaram o bronze. Desde os Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, que o judô brasileiro sobe no pódio olímpicos. Além de manter a tradição, o judô se igualou em números de medalhas (12) aos iatismo e ao atletismo, pelo menos até este domingo. A delegação brasileira chega no vôo Swissair LX96. O judoca Flávio Canto, medalha de bronze nas olimpíadas de Atenas, segue para o Rio de Janeiro e chega às 10hmin, no aeroporto Galeão, no vôo Varig RG 8877.

"Mantivemos a escrita de pódio olímpico. De dez olimpíadas que o judô brasileiro participou, em sete voltamos com medalha. Isso demostra a posição do Brasil no cenário internacional", diz Paulo Wanderley, presidente da Confederação Brasileira de Judô.

O judô brasileiro terá R$ 1,4 milhões repassados pela Lei Agnelo/Piva em 2004

O equilíbrio do esporte está muito grande. Em Atenas, fora o Japão, nenhum país conquistou duas medalhas de ouro

A Federação Francesa investe E$ 20 milhões por ano e conquistou em Atenas apenas uma medalha de prata, no feminino

Para chegar a medalha de bronze, Flávio Canto fez seis lutas, passando por nomes de peso como Aleksei Budolin, da Estônia, bronze no Mundial de 2003

O Brasil conquistou cinco medalhas nos últimos dois grandes eventos do judô, com cinco atletas diferentes. Em Atenas, bronze com Flávio Canto e Leandro Guilheiro. No Mundial, bronze com Edinanci Silva, Carlos Honorato e Mário Sabino

O sorteio das chaves também dificultou a vida de alguns judocas brasileiros em Atenas. Como foram os casos de Mário Sabino, Vânia Ishii e Daniel Hernandes. Sabino encarou na primeira luta o israelense Ariel Zeevi, campeão europeu de 2004 e também do Torneio Super A de Paris deste ano. Vânia teve pela frente no primeiro combate a belga Gella Vandecaveye, dona de cinco medalhas em mundiais e duas olímpicas. Daniel foi derrotado pelo russo Tamerlan Tmenov, medalha de bronze em Sydney 2000 e no Mundial de Osaka 2003. Na repescagem Daniel foi eliminado pelo estoniano Indrek Pertelson. Os dois voltaram a medalhar em Atenas. Tmenov foi prata e Pertelson bronze.

Durante a preparação olímpica, as seleções A e B do Brasil participaram de treinamentos de campo na Europa, no Japão e mesmo no Brasil, onde recebeu equipes do primeiro escalão mundial

"O que vemos é uma grande internacionalização do judô. Em Atenas, o Japão recuperou uma hegemonia que já não era tão grande", diz Floriano de Almeida, técnico da seleção feminina do Brasil.

Ney Wilson, coordenador técnico da CBJ, ainda reunirá a comissão técnica para discutir erros e acertos da campanha em Atenas. Mas já sabe alguns dos passos a seguir.

"Os recursos que temos à disposição hoje apenas pagam nossas contas, não sobra para investir. Temos a desvantagem de ter uma moeda fraca e gastarmos sempre em euro, dólar ou ien. O Brasil é geograficamente desfavorecido também, pois os grandes centros do judô são na Europa e na Ásia. Com isso, vamos dando um passo de cada vez. Queremos, sim, aumentar o intercâmbio internacional das nossas equipes, com treinos e competições no Brasil e no exterior, além de investir em tecnologia, com a compra de um software de banco de dados dos principais atletas, a aquisição de fitas e filmagem das lutas", explica Ney Wilson. "Sabemos o que deve ser melhorado e estamos planejando este caminho. Mas tudo o que podíamos fazer para uma boa campanha em Atenas foi feito. E se tivesse de repetir, repetiria tudo", ressalta.

Flávio Canto e Leandro Guilheiro, os medalhistas brasileiros em Atenas, também falaram das surpresas desta competição.

"Eu posso ser zebra para muitas pessoas, mas não para mim. Sempre acreditei que era possível chegar ao pódio", afirma o jovem Leandro, de 21 anos. "O fato de ser desconhecido pode até ter me ajudado, pois quase não fui estudado pelos adversários. Tal qual aconteceu com o Inoue, japonês campeão olímpico e tricampeão mundial, invicto há quatro anos. O holandês estudou tanto ele que cada passo que ele dava no tatame era marcado. Acabou perdendo", continua ele, que fez questão de gravar as lutas de Kosei Inoue para ‘aprender’, segundo ele mesmo.

"A grande zebra foi mesmo a derrota do Inoue. Na minha categoria, havia uns 12 judocas em condição de subir ao pódio. O único que me surpreendeu estar lá foi o ucraniano. Mas se começarmos as Olimpíadas de novo posso perder na primeira luta e ficar de fora ou ser campeão. Está tudo muito equilibrado", diz Canto. "É uma competição muito difícil e rápida. De 33 atletas, apenas quatro têm a sorte de subir ao pódio. A vitória é uma conseqüência de treinamento, sorte, destino. São as conseqüências da globalização no esporte. Em 1996, em Atlanta, não era assim. Tinha uns seis judocas favoritos em cada categoria apenas", lembra o medalhista de bronze em Atenas.

Carlos Honorato, um dos favoritos no peso médio, sentiu na pele o efeito do estudo a que se referiu Leandro Guilheiro.

"Não competi bem e fiz menos do que eu esperava e do que os outros esperavam de mim. Em alguns momentos, não consegui aplicar o que eu sabia e perdi. A Confederação Brasileira de Judô está investindo na compra de fitas de torneios internacionais e isso pode ajudar daqui para frente. Até 2000, não tínhamos nada. Já estamos evoluindo. Para Pequim, vai ser melhor ainda", acredita Honorato.

A derrota de Inoue, Honorato, e as ausências da França no pódio não foram as únicas surpresa na Grécia. Canadá e Grã Bretanha também não tiveram motivos para comemorar. Cuba, uma potência no feminino, fez apenas uma final e perdeu.

"Antigamente, os países convidavam as cubanas para treinar na Europa e pagavam a conta. Agora isso acabou e elas devem estar sentindo a diferença, se alimentando mal, essas coisas. Uma prata e quatro bronzes para elas é pouco", avalia a peso-leve Danielle Zangrando.

Campanha dos brasileiros

ATLETA- LUTAS / VITÓRIAS / DERROTAS

Alexandre Lee - 1 / 0 / 1

Henrique Guimarães - 2 / 1 / 1

Leandro Guilheiro - 7 / 6 / 1 (bronze)

Flávio Canto - 6 / 5 / 1 (bronze)

Carlos Honorato - 4 / 2 / 2

Mario Sabino - 1 / 0 / 1

Daniel Hernandes - 4 / 2 / 2 (9º)

Daniela Polzin - 1 / 0 / 1

Fabiane Hukuda - 1 / 0 / 1

Danielle Zangrando - 3 / 1 / 2

Vânia Ishii - 1 / 0 / 1

Edinanci Silva - 4 / 2 / 2 (7º)

                      

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