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atualização em 21 de julho às 11h Seleções
de Portugal, Porto Rico e o único judoca chileno Mais de cem judocas dividem o tatame com a equipe olímpica brasileira nesta semana de treinamentos em São Paulo. São atletas de clubes paulistas, cariocas e equipes júnior e paraolímpica do Brasil. Entre os visitantes, estão também alguns possíveis adversários dos brasileiros nos Jogos de Atenas. Treinando lado a lado com a equipe nacional, estão as seleções de Portugal, Porto Rico e o único chileno classificado para as Olimpíadas na modalidade, motivados pelo grande número de judocas nos treinamentos e, sobretudo, pela boa estrutura e alto nível do esporte no país. "Poderia perfeitamente ir para o Japão. Mas acho mais proveitoso estar no Brasil. O clima é parecido com o nosso em Portugal, há excelentes atletas e somos muito bem recebidos. Vale à pena sair da Europa para estar com a seleção brasileira", elogia o meio-médio Nuno Delgado, de 27 anos, bronze nos Jogos Olímpicos de Sydney. "Além disso, o Flávio Canto é um dos melhores judocas da minha categoria na atualidade. Aprendo muito com ele e espero que ele tenha aprendido algo comigo também. Somos amigos. Tomara que a gente só se cruze numa final em Atenas", continua o atleta português, que está em sua terceira visita ao Brasil desde que seleção lusa começou o intercâmbio por aqui em 2003. Desta vez, Delgado tem a companhia de Telma Monteiro (52kg), João Pina (66kg) e João Neto (73kg), os outros portugueses que estarão na Grécia em agosto. E é Flávio Canto quem dá a explicação para a procura cada vez maior do país por seleções estrangeiras nos últimos anos. O Brasil já recebeu as equipes de Alemanha, Itália, Holanda, Bélgica, México, Argentina e Estados Unidos, só para citar alguns recentes visitantes. "Depois que fomos vice-campeões mundiais por equipes em 1998, acho que o judô brasileiro começou a ser visto como um grupo de qualidade e não reconhecido apenas por um ou outro judoca de sucesso lá fora. Isso abriu os olhos dos outros países para nós", comenta Canto, que faz do português Delgado uma espécie de conselheiro no exterior. "Delgado conhece muito os judocas da nossa categoria. Quando vou enfrentar alguém que não conheço bem, pego informações com ele", completa o brasileiro. O técnico portoriquenho Angelo Ruiz, por sua vez, fez valer a amizade com o técnico da seleção brasileira masculina, Luiz Shinohara, para convencer o Comitê Olímpico de seu país a trocar a preparação dos judocas da Espanha para o Brasil. Ruiz está no Brasil desde 17 de junho, ao lado de Melvin Mendez (66kg) e Ramon Ayala (100kg). Do time olímpico, apenas Jessica Garcia (57kg) não veio. "O Brasil, hoje, é um dos melhores lugares do mundo para treinar. Onde mais temos tantos judocas com tanto nível técnico? Apenas no Japão. Para conseguir algo assim em outros países só em acampamentos de judô", diz Ruiz. "Os europeus são fortes, os japoneses são técnicos. Os brasileiros são fortes e técnicos e ainda têm um fator a mais: são guerreiros. Usam o coração para tudo", comenta o treinador de Porto Rico. Já o chileno Gabriel Lama (90kg), vai para sua segunda Olimpíada tendo o privilégio de se preparar com ninguém menos do que vice-campeão olímpico de seu peso, o brasileiro Carlos Honorato. Lama, que morou no Brasil até 1992, treina com outro medalhista olímpico do Brasil, Douglas Vieira, e está no país desde maio de olho nos Jogos de Atenas. "Não há nem comparação com o Chile. Aqui treino com Honorato e com o Branco (Edelmar Zanol, reserva de Honorato na equipe olímpica). Faço questão de passar algumas temporadas por ano no Brasil para treinar", diz Lama, de 30 anos. No dia 1 de agosto, a seleção olímpica titular e reserva embarca para Portugal, onde participa de treinamento internacional em Coimbra ao lado de cerca outros sete países e cerca de 200 atletas. A equipe titular chega a Atenas no dia 9 de agosto. A estréia nos Jogos Olímpicos será no dia 14 de agosto, com os pesos ligeiro masculino e feminino. A competição de judô em Atenas vai até o dia 20 de agosto, no Anos Liossia Olympic Hall. |