última atualização em 22 de outubro às 21h45

JUVENTUDE E EXPERIÊNCIA A SERVIÇO DO
BRASIL NO SUL-AMERICANO


Judocas estreantes querem aproveitar a competição para aprender com atletas consagrados e garantir seu espaço na seleção brasileira. Campeonato será no dia 24/10, no Caio Martins, com presença de nove países e destaque para o medalhista olímpico de Atenas, Flavio Canto

O Brasil busca manter sua hegemonia continental neste domingo (24/10), no ginásio de Caio Martins/Niterói, a partir das 10h (primeira fase) e 15h (finais), quando acontece o Campeonato Sul-Americano de Judô. Além do Brasil (atual campeão com 10 ouros, 3 pratas e 1 bronze conquistados na edição de 2003, no Equador), participam as equipes de Argentina, Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O Campeonato Sul-Americano tem apoio do Comitê Organizador dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007 (CO-Rio) e da Secretaria de Esportes do Estado do Rio de Janeiro.

 Mas nem só de nomes consagrados é feita a seleção brasileira que disputará a competição. Ao lado dos medalhistas olímpicos Flavio Canto e Carlos Honorato, por exemplo, estão jovens judocas em busca de um lugar na equipe brasileira. Para eles, subir ao pódio terá outro significado.

 “Quero aprender com os mais experientes neste Sul-Americano. Até ontem eu era amadora. Agora, já me considero uma profissional”, diz a ligeiro Viviane Mota, de 23 anos, ouro no último Campeonato Brasileiro e substituta da titular Daniela Polzin no Sul-Americano. “Sempre foi meu sonho defender o Brasil e quero aproveitar bem esta chance”, afirma a judoca do Distrito Federal.

 Aos 20 anos, Juliana Silva também quer agarrar a oportunidade com toda força. Campeã no peso médio no Brasileiro, a atleta estréia na seleção com uma madrinha e tanto: a peso pesado Priscila Marques, sua companheira no clube Pinheiros.

 “Ela me dá força, toma conta, é minha mãezona. Tudo está acontecendo rápido na minha carreira. Nem imaginava que pudesse estar aqui. É um sonho, o primeiro passo para ir além e disputar um Pan, um Mundial, uma Olimpíada”, comenta Juliana. “Esta é a competição mais importante da minha carreira”, acrescenta ela.

 No masculino, experiência não falta a Leandro Cunha e RodolfoYamayose. O primeiro, aos 23 anos, é reserva de Henrique Guimarães no meio-leve e já comemorou, em 2004, o título do Campeonato Pan-Americano. Já o super-ligeiro Yamayose, aos 40 anos, serve de exemplo para a garotada.

“Fico feliz de voltar à seleção depois de quase 10 anos. Comecei no judô há 30 anos com o Luiz Shinohara, que hoje é técnico da equipe brasileira. Até hoje uso os ensinamentos dele”, comenta Yamayose, que já levou seu filho Vítor, de 10 anos, a praticar o esporte. “O segredo de ir tão longe é se alimentar bem e seguir treinando. Adaptei meu estilo e hoje faço os adversários se cansarem”, ensina o judoca, bronze nos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata, em 1995, última vez que o super-ligeiro (até 55kg) foi disputado na competição e, portanto, sua despedida com o quimono do Brasil.

 Leandro Cunha, por sua vez, quer fechar o ano com chave de ouro.

 “Essa temporada foi boa para mim. O importante é ir conquistando o espaço, dando as caras em competições internacionais. Quero poder fazer o melhor bem sempre nas chances que eu tiver para poder pensar em estar nas Olimpíadas de 2008”, diz o judoca de 23 anos, já pensando na seletiva para o Campeonato Mundial de 2005. “O Sul-Americano vai ser forte no meio-leve. Tem atletas bons na Argentina e na Venezuela”, comenta Leandro, campeão do último Troféu Brasil.

 A motivação é geral na seleção brasileira.

 "É uma competição em casa e temos de entrar para vencer. Vai ser meu primeiro campeonato depois de Atenas e, certamente, não estarei na mesma forma que nas Olimpíadas. Mas estou treinando forte para chegar bem no Sul-Americano”, afirma o meio-médio Flávio Canto, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas.

 A peso leve Danielle Zangrando sonha com o lugar mais alto do pódio.

 “O Brasil é a maior potência da América do Sul e tem tradição de vitória na competição. Por isso estou otimista com a possibilidade de ser campeã”, diz a judoca.

 O Campeonato Sul-Americano terá disputa nas sete categorias olímpicas no masculino e no feminino, mais combates no super-ligeiro. O Brasil terá cinco desfalques em relação à equipe que foi a Atenas devido a contusões: Alexandre Lee (ligeiro), Henrique Guimarães (meio-leve), Leandro Guilheiro (leve), Daniela Polzin (ligeiro) e Vânia Ishii (meio-médio).

 Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (22/10), na sede do Comitê Olímpico Brasileiro, o secretário geral do CO-Rio, Carlos Osório, destacou a importância do judô nos próximos Jogos Pan-Americanos.

“Trata-se de uma modalidade que merece uma atenção muito especial por seu potencial para fazer uma grande participação Pan de 2007. Queremos organizar com a Confederação Brasileira de Judô, até 2007, várias competições internacionais aqui para treinar a estrutura, trazer estrelas para o Brasil e manter nossos atletas em atividade. Vamos ajudar no que pudermos”, afirmou Osório, ao lado do diretor de esportes de rendimento do Estado do Rio de Janeiro, Ricardo de Souza, do presidente da CBJ, Paulo Wanderley Teixeira e do coordenador técnico internacional da CBJ, Ney Wilson.

 Seleção Brasileira:

 MASCULINO:

Super-ligeiro (55kg): Rodolfo Yamayose

Ligeiro (60kg): Denílson Lourenço

Meio-leve (66kg): Leandro Cunha

Leve (73kg): Jack Jamil

Meio-médio (81kg): Flávio Canto

Médio (90kg): Carlos Honorato

Meio-pesado (100kg): Mario Sabino

Pesado (+100kg): Daniel Hernandes

Técnico: Luiz Shinohara

 

FEMININO:

Super-ligeiro (44kg): Aline Barros

Ligeiro (48kg): Viviane Santos

Meio-leve (52kg): Fabiane Hukuda

Leve (57kg); Danielle Zangrando

Meio-médio (63kg); Erica Moraes

Médio (70kg): Juliana Silva

Meio-pesado (78kg): Edinanci Silva

Pesado (+78kg): Priscilla Marques

Técnico: Floriano de Almeida