| atualizada em 24 de agosto às 20h07 HONORATO:
"FOI MELHOR PARA MIM" Carlos Honorato encarou com tranqüilidade seu desligamento da seleção que representará o Brasil no Campeonato Mundial do Egito, de 8 a 11 de setembro. O judoca se apresentou na concentração em São Paulo longe de sua melhor forma física e técnica e foi cortado da equipe nesta quarta-feira (24/8). O intuito da comissão técnica com a medida foi preservar o atleta, que se apresentou acima do peso em decorrência de uma forte gripe na última semana, que o obrigou a tomar remédios e a recorrer a uma alimentação reforçada, além de afastá-lo do tatame. O substituto de Honorato será Alexsander Guedes, mas sua ida ao Cairo ainda depende de questões burocráticas, como visto, certificado de vacina, inscrição e passagem. Guedes, campeão mundial militar em 1999, será integrado à seleção nesta quinta-feira. "Foi uma decisão
difícil, pois Honorato goza de muito carisma e é um expoente
do judô brasileiro. Mas por conta de sua doença, ele acabou
se apresentando acima do peso e debilitado física e tecnicamente,
o que certamente comprometeria sua performance no Mundial", explica
o coordenador técnico da seleção brasileira, Ney
Wilson. "Por tudo o que ele representa, resolvemos não expor
o atleta, que certamente seria cobrado por resultados. Mas continuamos
acreditando e investindo no seu potencial e contando com ele para futuras
competições. Ele é um patrimônio do judô
brasileiro e sua categoria ainda não apresenta uma renovação
tão iminente", acrescenta o coordenador, que tomou a decisão
ao lado da equipe multidisciplinar da Confederação Brasileira
de Judô (CBJ), formada pelo médico Wagner Castropil, pelo
preparador físico Josué Moraes, pela psicóloga Adriana
Lacerda, pela nutricionista Roberta Lima, além dos técnicos
Rosicléia Campos e Luiz Shinohara. "Nesse momento,
eles pensaram mais em mim do que eu mesmo. Tomaram uma decisão
que talvez eu não tivesse coragem para tomar. E acredito que o
peso foi o que menos contou para o corte. Não estou na minha melhor
forma e senti isso nos primeiros dias de treino. Estava na verdade me
enganando e tentando enganar os outros, mostrando uma condição
que eu não apresentava. Dizer que estou feliz pode parecer estranho,
mas fico contente de não ir ao Mundial na atual situação,
pois chegar lá e não lutar bem seria mais frustrante do
que não ir", comentou o judoca, prata nas Olimpíadas
de Sydney 2000 e bronze no Mundial de Osaka 2003. "Sei do valor que
tem um atleta de ponta na equipe e minha má fase poderia comprometer
o grupo. É como um craque em mau dia no futebol. Se ele não
decide, o time sente. Acho que se não fosse bem no Egito, poderia
atrapalhar o grupo, que está forte em busca de um bom resultado",
comparou. "Tivemos outros
casos semelhantes ao do Honorato às vésperas de competições
importantes. Cortamos Fabiane Hukuda nos Jogos Sul-Americanos de 2002
e o João Derly antes do Mundial de Osaka 2003. Ambos são
titulares da seleção brasileira hoje, o que mostra que nossas
atitudes são pensadas e coerentes. Mas é importante ressaltar
que o desligamento do Honorato não se deve exclusivamente ao peso.
A balança só nos levou a pensar no que estava acontecendo
com o atleta e nas condições que ele se apresentou",
explicou "Chegar aos
90kg não seria problema, mas estaria muito fragilizado e sujeito
a lesões. E a saúde é o que mais importa, além
de ter um objetivo maior que é Pequim 2008", disse Honorato. |