Primeiro medalhista olímpico brasileiro, Chiaki Ishiii, completa 50 anos no Brasil
O japonês naturalizado brasileiro, Chiaki Ishiii, é neto de um dos aprendizes de Jigoro Kano, que por sua vez inventou o judô, em 1882. Como todo atleta e amante do esporte, Ishii sempre sonhou com a medalha olímpica. Em 1964, perdeu a oportunidade de representar sua nação nos Jogos Olímpicos de Tóquio para o japonês Isao Okano, que acabou tornando-se o grande campeão daquela edição. Desacreditado e insatisfeito, Ishii resolveu fugir para o Brasil. Foram 60 dias embarcado em um navio, com outros 300 japoneses. Dois de maio de 1964 é a data do primeiro dia do mestre no país verde e amarelo.
Em 1967, Chiaki Ishii naturalizou-se brasileiro. Cinco anos depois, em 1972, aos 31 anos, o judoca entrou para história do esporte após conquistar a medalha de bronze nas Olímpiadas de Munique, tornando-se o primeiro brasileiro a medalhar em uma Olímpiada na modalidade.
Hoje, com 72 anos, Chiaki Ishii é dono de uma academia em São Paulo e aproveita os fins de semana em um sítio, em Ibiúna, a 70km da capital paulista. Lá, sempre com a presença da esposa, Keiko, o mestre faixa vermelha já criou animais e, hoje, dedica-se ao cultivo de flores e verduras.
Para quem não sabe, o mestre é pai de duas ex-atletas que fizeram parte da seleção brasileira de judô: Tânia Ishii, bronze nos Jogos Pan-americanos de Caracas, em 1983, e Vânia Ishii, que além de ter representado o Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, e nos de Atenas, em 2004, coleciona três medalhas em Pan. Um bronze, em Mar Del Plata, em 1995, um ouro, em Winnipeg, em 1999, e uma Prata, em Santo Domingo, em 2003.
Agora cabe a Tânia a tentativa de manter vivo o nome da família dentro do judô. Técnica de uma escola nos Estados Unidos, onde mora com o marido e a filha Sophia Ishii, Tânia apoia os treinos de Sophia na universidade em que ela estuda, a San Jose State University, a faculdade que mais formou medalhistas olímpicos nos EUA e onde o marido é técnico. O sonho de Tânia é que a filha, que detém o título de campeã pan-americana sub 21, tenha a mesma garra que a família de campeões teve e destaque-se dentro do esporte.
"Infelizmente, o judô não é um esporte muito popular aqui nos EUA. Quero mandá-la para treinar com o meu pai. A Sophia é muito disciplinada e raçuda", explicou Tânia e concluiu. "A Sophia é muito madura e tem toda a noção de que é filha de campeões".
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